quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

*Qualidades de um Dominador bem-sucedido *

O espaço virtual ensina que Dominar e submeter-se são coisas fáceis e quase sempre prazerosas. Tudo que você necessita fazer pra ser um Dominador virtual muito popular e admirado é saber quando dizer "aquelas frases de efeito". Mesmo eu, uma pessoa sem qualquer desejo de dominar, poderia facilmente ter uma enorme senzala, cheia de submissas virtuais desmaiando por mim e brigando por minha atenção, ao assumir uma falsa personalidade virtual, simplesmente porque eu sei quais as palavras certas a serem usadas. Submissas que só recentemente descobriram ou decidiram assumir sua sexualidade estão, via de regra, tão necessitadas de controle sexual e emocional, qualquer tipo de controle enfim, que se disporão facilmente a se submeter, caso você assuma um comportamento severo e forte na presença virtual delas, e começe a dar ordens como as que povoam a pornografia sadomasoquista.

É incrivelmente fácil dominar alguém à distância. Na verdade é tão fácil, que muitos homens que não são verdadeiramente dominadores, descobriram que, ao encenar essa farsa, eles podem ter tantas escravas virtuais casuais quantas queiram. O problema acontece quando esses Dominadores começam, como freqüentemente fazem, a acreditar em sua própria propaganda e começam a considerar-se como sendo super Doms, ainda que eles nunca tenham tido qualquer experiência em controlar qualquer pessoa na vida real. Esse super-bobalhão, ou desculpe-me, super-Dom, pensa que dominar alguém na vida real é igual à encenação fantasiosa que ele leva a cabo sem qualquer esforço on line, ou ao telefone. Assim, considerando-se como sendo eminentemente qualificado, ele ordena que alguma pobre submissa apaixonada deixe sua casa e vá morar com ele. Quando ambos, ele e sua crédula parceira, são forçados a lidar com a realidade da Dominação e submissão, o desastre começa



Na realidade, dominar alguém que vive com você requer muito, muito mais do que a habilidade em criar uma fantasia sexy numa tela de computador, ou de assumir um tom severo e de distribuir comandos pelo telefone ou por e-mail para uma submissa part time, sempre obediente e obsequiosa, que passa a maior parte de sua vida sem você e independente . Muito poucas pessoas na realidade possuem o necessário para serem Dominadores bem sucedidos. E Dominadores reais são na realidade muito raros, já que há muito mais gente que deseja dominar alguém sadomasoquisticamente do que pessoas que têm a habilidade de fazê-lo bem. Dominar alguém full time e em pessoa requer um trabalho muito difícil por parte do Dominador. Um Dominador bem sucedido faz esse trabalho difícil porque o resultado é compensador para ele. Esse trabalho também requer informação, até mesmo sabedoria, sobre o que ambos (Dominador e submissa) têm que fazer para que esse tipo de relacionamento funcione. Isso, no presente, não existe na comunidade S&M, cheia de fantasias, nem em seus materiais escritos.


Por exemplo, dominar uma submissa profunda e necessitada bem (em outras palavras, de maneira que assegure que ambos estarão felizes e satisfeitos) - mesmo uma submissa altamente motivada, sincera e obediente - requer uma habilidade para lidar com numerosos fricotes, resistências e confusões dirigidas ao parceiro da submissa, especialmente durante os primeiros anos de convivência dentro do relacionamento. Mesmo a mais profunda submissa tem tremendas dificuldades - de início - em aprender a obedecer e a se submeter, porque aprender a ser uma boa submissa não é uma questão de personalidade ou de força de vontade (ainda que essas coisas ajudem). Não é uma questão de ser "suficientemente submissa". É inteiramente uma questão de treinamento e experiência. A mais obsequiosa e obediente submissa não nasceu sabendo instintivamente como servir ou como colocar as necessidades de seu Dono em primeiro lugar. Na realidade, ela é ensinada desde a infância a ser independente e a ter iniciativa. Superar um condicionamento cultural de toda uma vida leva muito tempo; e nada na representação fantasiosa que as pessoas fazem on line ou ao telefone as prepara para as dificuldades da verdadeira obediência na vida real, em cárater diuturno. A única maneira pela qual uma submissa aprende a ser uma boa submissa é através de extensa prática, ao cometer erros e aprender com eles, expressando o que não está indo bem, com a assistência abrangente de um Dominador que é paciente e sabe o que está fazendo.


Os primeiros anos infernais de um relacionamento D/s sob o mesmo teto requerem, em todos os casos que eu vi, muita paciência e autocontrole do Dominador. Tal paciência e autocontrole são sinais de maturidade, de um adulto que realmente é "crescido" e que é verdadeiramente capaz de assumir a responsabilidade pela vida de outra pessoa. Quando a sua submissa está furiosa, gritando com você porque você a está "forçando" a acordar cedo para fazer seu café da manhã, chamando você de violento, sem consideração e abusivo, é terrivelmente difícil, se você não tem uma boa experiência como Dominador ou se você é emocionalmente imaturo, não ser afetado ou até mesmo ferido por isso e não revidar. Mas vingar-se de uma submissa resistente ou perturbada que feriu você, distanciando-se dela física ou emocionalmente ou através de punições com raiva, ou de violências emocionais de sua parte, simplesmente vai assegurar que seu relacionamento rapidamente vai se tornar convencional em termos de poder. Sua submissa vai aprender que você não pode se controlar, que você não tem noção de como lidar com suas tentativas passivo-agressivas ou manipulativas de resistir a você, ou que você é um covarde, que foge da confrontação. Em outras palavras, ela aprende que, ao invés de ser aquele Dominador lindo e maravilhoso que você aparentava ser on line, você é na realidade apenas uma criancinha raivosa, assustada ou ferida, que não é mais maduro que ela.



Como ficará evidente a qualquer pessoa que tentar viver um relacionamento de intercâmbio de poder sob o mesmo teto por um determinado tempo, D/s é por vezes um trabalho duro, um trabalho extenuante e duro, e requer um individuo raro como Dominador: alguém cuja habilidade e cujas ações realmente correspondam ao que ele reclama para si mesmo, e alguém que considera o trabalho duro como compensador, por força das coisas que ele ou ela obtém do relacionamento.


Há alguns atributos mínimos que todo Dominador necessita ter, de maneira a propiciar que um relacionamento real de intercâmbio de poder funcione. Essas são as qualidades que toda submissa deveria procurar num dominador ao conhecê-lo. Muitos auto-proclamados Dominadores dizem que eles têm essas qualidades extraordinárias; somente a pretensão não significa nada. O Dominador tem que estar apto a mostrar a você que ele realmente tem esses atributos. Aprender se o seu Dominador tem realmente esses requisitos básicos leva tempo: submissas que se apressam em entrar em relacionamentos de intercâmbio de poder sob o mesmo teto, absolutos ou mesmo parciais, sem dar o tempo que permita determinar a qualidade da pessoa à qual elas estão concordando em se submeter, freqüentemente vão pagar caro por isso mais tarde.


Abaixo estão descrições de algumas das qualificações mínimas que um Dominador que espera ser bem sucedido num relacionamento de intercâmbio de poder tem que ter. Não há aqui a intenção da completude, mas tão somente de municiar você com algumas das qualidades mais importantes a serem procuradas num parceiro dominador em potencial.


AUTOCONTROLE



Se você não pode se controlar - seus vícios, suas emoções, sua tendência a explodir - você não pode controlar outra pessoa. Você é fraco demais e autoindulgente para controlar outro. Conforme mencionado acima, todas as submissas, mesmo as melhores, resistem ao controle por vezes. Lidar com essa resistência de maneira a encorajar o bom comportamento na submissa e a ajudar a treiná-la para que ela se torne uma melhor submissa e uma pessoa mais feliz, significa entender desde o início que as ações de sua submissa, ainda que você possa desgostar delas, não são dirigidas a você. Elas são antes disso conseqüência dos problemas dela com a submissão. Aprender a não responder narcisitiscamente - ou seja, com raiva, com afronta pessoal, ferido ou na defensiva - quando ela se comporta de maneira resistente ou manipulativa, é parte do autocontrole. Ao invés de partir para a hiper-reação, um Dominador autocontrolado vai encontrar as estratégias que vão funcionar, racionalmente e ao longo do tempo, com base no conhecimento íntimo sobre a sua submissa, desencorajando o comportamento e as atitudes que não lhe agradam.



PERSISTÊNCIA E CAPACIDADE DE RECUPERAÇÃO EMOCIONAL


Pessoas que apenas imaginam que são Dominadoras e que subitamente se vêem na posição de ter de controlar um ser humano real face a face, freqüentemente fazem uma pergunta muito reveladora: Ao ter de encarar as dificuldades iniciais de treinamento de uma submissa e superar a violência de sua confusão ou resistência, uma situação que requer muito autocontrole e muita maturidade de sua parte, eles freqüentemente ficam se perguntando o que o Dominador afinal vai levar desse relacionamento, além de trabalho duro e desgosto. Um Dominador verdadeiro nunca fica se perguntando isso seriamente. Ele sabe o que quer levar de um relacionamento de intercâmbio de poder, e cria as condições, apesar das dificuldades, para obtê-lo. Um Dominador precisa realmente ser Dominador, precisa ter uma vontade suficientemente forte de ver suas necessidades satisfeitas, de insistir que ele vai obter o que quiser do relacionamento. Ao lado disso, para alguém que é genuinamente Dominador, superar a resistência da submissa de maneira que isso venha a melhorar o relacionamento para ambos, é algo que lhe apetece, apesar de não gostar da verdadeira resistência, já que a longo prazo isso ajuda a aumentar o controle sobre a sub.



RESPONSABILIDADE


Possuir alguém por toda a vida é um esforço muito sério. Quando você controla outra pessoa e pode fazer com ela o que quer que você queira, você tem uma grande responsabilidade em relação a ela. Algumas pessoas, superficialmente, igualam a responsabilidade do Dominador àquela de possuir um animal de estimação, mas na realidade a tarefa é muito maior do que essa. Em termos da seriedade com a qual o Dominador precisa assumir sua responsabilidade, é mais sério inclusive do que ter um filho. Você controla essa pessoa absolutamente e, assumindo que você ama a sua escrava você tem que se certificar de que as coisas que você faz - ou não faz - não são na realidade perigosas nem danosas por sua responsabilidade. Você tem que pensar primeiro, e muito cuidadosamente, antes de falar quando estiver com raiva. Você tem de considerar como cada ação que você empreende ou cada decisão que você toma afeta sua submissa assim como a você mesmo. Você tem que prever como a sua sub vai reagir a certas coisas, antes que você se comprometa com elas. Você esta dirigindo o navio. Você é o único responsável. Se você realmente entende isso, você também sabe que quando as coisas dão errado ou não funcionam, não é erro da pessoa que esta indefesa diante de você e que tem que seguir suas ordens. É sua responsabilidade e somente sua.


MATURIDADE


Um Dominador tem que ser crescido, suficientemente crescido, para assumir a responsabilidade quando as coisas dão errado. Uma criança em corpo de adulto, por outro lado, põe a culpa nos outros por cada coisa ruim ou cada contratempo que lhe acontece . Nada jamais é de sua responsabilidade. Sempre é a outra pessoa que estragou tudo. Uma pessoa madura também tem a paciência e a disposição de esperar um longo tempo, se necessário, para que as coisas dêem certo. Certas coisas, em um intercâmbio de poder, requerem um longo tempo para serem alcançadas e um Dominador especialmente tem de ter a determinação e a força para esperar por essas coisas sem desistir ou desanimar. Uma pessoa madura está apta a manter-se centrada. Ela não vê cada pequeno ataque ou dificuldade emocional de sua submissa como sinal de que o relacionamento não está dando certo ou como algum sintoma do fato de que sua submissa não o ama. Um Dominador maduro também sabe como andar por sobre a linha tênue entre não deixar que as dificuldades emocionais da parceira submissa o dominem, por um lado, e como não se tornar emocionalmente distante da submissa, por outro lado. Uma pessoa madura tende a ter uma personalidade calma e plácida, que não se torna instável por força de cada pequeno incidente que a vida joga sobre ela. Um Dominador maduro é alguém que pode ser visto pela submissa como admirável, em quem ela pode se recostar, é alguém que pode ser visto como pilar de força e suporte, a toda hora, não somente quando ele acha prazeroso ou fácil desempenhar esse papel. Um Dominador maduro tem um bom conhecimento da natureza humana por tê-la encontrado em suas várias formas, e sabe, em geral, o que dá certo e o que não dá quando se lida com uma submissa. Ele não tem que aprender tudo isso experimentando em você.


CONFIABILIDADE


Essa talvez seja a qualidade mais importante que um Dominador tem que ter. Uma pessoa que é totalmente dependente de outra e que existe tão somente para agradar essa pessoa, tem que saber que seu Dominador é confiável e coerente - e especialmente que ele é capaz de manter sua palavra. Um Dominador não é confiável só porque ele diz que é. Ele é confiável quando prova a você com ações consistentes, por um longo período de tempo, que ele faz o que ele diz que vai fazer. E quando ele diz, ele faz. E que ele te conta a verdade e não te engana. Que você pode ir até ele com seus problemas, sejam esses problemas quais forem, e contar, que você vai encontrar nele compaixão e amor e que ele não vai te rejeitar justamente porque esses problemas fazem-no se sentir inseguro, confuso ou perturbado.


EXPERIÊNCIA E CONHECIMENTO


Ajuda imensamente se um Dominador sabe o que está fazendo, se ele sabe quais são as atividades seguras e quais são as que colocam a submissa em perigo física ou psicologicamente. Entende como conhecer sua submissa - mergulha profundamente em sua personalidade de tal forma que ele possa melhor controlá-la, sabe como mantê-la servindo a ele feliz e entusiasticamente e sabe realmente como controlar alguém. A maior parte das pessoas que querem ser Dominadores não têm a menor idéia de como fazer nada disso. Eles podem ter um pouco de sucesso ao fazer cenas fantasiosas no computador, e pensam que essa brincadeira infantilóide que qualquer um - mesmo uma submissa como eu - poderia aprender a fazer convincentemente com a prática de um par de dias, os faz experientes e sofisticados dominadores. Ou eles podem aprender dos terríveis livros de aconselhamentos de etiqueta sadomasoquista no mercado que existem "métodos de treinamento" ou fórmulas que dão certo com todas as submissas. (Nada está mais distante da verdade). Ou eles podem ter ido a um par de play-parties, visto as performances levadas a cabo por indivíduos que são somente apenas um pouco menos ignorantes que eles mesmos (ainda que essas pessoas geralmente vão fazer de tudo ao seu alcance para convencer você de que eles são experts em sadomasoquismo) e concluído que realmente controlar alguém está intimamente ligado a essas encenações artificiais, em grande parte para impressionar o público sobre o quão competentes ou inteligentes eles são. Aprender a controlar alguém, a superar suas resistências (toda submissa que experimenta dominação real e permanente resiste) a lidar com cada nova situação que aparece, exige uma grande dose de conhecimento e experiência e constitui-se em uma arte também. É algo complexo, já que cada situação individual requer uma resposta diferente, não pré-pronta ou estereotipada. A maior parte das pessoas na cena, a maior parte daqueles que se auto intitulam dominadores e que se promovem como sábios gurus sadomasoquistas, não sabem nada sobre nada disso. Eles estão tateando atrapalhadamente no escuro. Um Dominador, ou aprendeu esse tipo de coisa através de muitos, muitos anos na escola da dureza, ou aprendeu de um outro Dominador que já possuía esse conhecimento.


DESEJO


É uma tristeza que muitas pessoas que se auto-intitulam Dominadores hoje em dia não tenham absolutamente nenhuma idéia do que fazer com uma submissa, uma vez que eles estejam sozinhos com ela no mesmo cômodo. Enquanto eles puderem bravatear, se jactar e fingir virtualmente ou à distância, ou por um curto período de tempo, eles vão bem. Mas uma vez que realmente passam a ter uma pessoa real com a qual lidar 24 horas do dia, rapidamente ficam sem idéias. A maior parte dessas pessoas não têm nenhuma das qualidades essenciais descritas acima. Elas realmente não querem nenhuma das dificuldades ou das pressões que controlar alguém sempre envolve. Eles querem ser Dominadores somente para inflar seus egos ou porque eles acreditam que é uma maneira fácil de conseguir com que garotas façam o que eles querem, ou porque soa muito mais prazeroso e fácil do que um relacionamento convencional. Eles não são loucos para controlar alguém. Eles não são verdadeiramente Dominadores. Se fossem, aceitariam as pressões e dificuldades envolvidas com o controle, saboreariam esse controle tanto, que estariam dispostos a lidar com quaisquer problemas que ele venha a trazer. Alguns auto-proclamados Dominadores contudo não querem na realidade controlar a vida de outro. Eles não querem possuir uma escrava (ainda que eles freqüentemente acreditem que eles querem uma, até que eles a encontram) e quando confrontados com a realidade da posse eles fogem, abandonando suas responsabilidades. A forma mais comum de fugir ou de abdicar da responsabilidade do Dominador é culpar a submissa por todos os problemas do relacionamento, fingindo que ela é totalmente responsável.




* Título original: Qualities of A Successful Dominant, publicado no site www.submissivewomenspeak.net
Por Polly Peachum

Tradução por Dragomir Boutli

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